1. Gostei do teu raciocínio meu caro amigo. E por constar tantas verdades, quem sou eu para dizer o contrário? Do meu lado isto não pode acontecer, porque sou de uma geração diferente. É imperativo em minha casa “curtir” o que é nosso. Só depois de 7 vezes evocar o que é nosso é que abro espaço para uma coisa de fora, mas raramente. Não quero dizer com isto que não aprecio, até gosto. O problema é que se mal conheço os cantos da minha casa porque é que iria eu esforçar-me em adorar os cantos da casa do vizinho? O meu pai foi severo neste aspecto, e eu como chefe de família, tenho sido ainda mais severo.
2. Quando a difusão da nossa cultura na diáspora, não queiras imaginar meu caro amigo as dificuldades que passa a nossa embaixada cá, para se ocupar em promover seja lá o que for sobre a nossa cultura. Penso que o ministério da educação deve olhar para este aspecto. Não pode ser justificação esta, claro, num país onde a fome impera pouco valor têm a cultura! É uma área entregue à sua sorte. Mas pode ser diferente, se em cada 10 moçambicanos um gostasse de cultura, ai tínhamos um país mais vivo e pronto a andar para a frente. Países como Cabo-Verde, Angola, etc tem a parte cultural muito forte, os governos apoiam seriamente, mesmo não sendo o governo as pessoas não deixam os seus créditos em mãos alheias, lutam para que as suas raízes sejam um mandamento. Estes países supracitados tem se afirmando na arena mundial graças as suas manifestações culturais. Isto vem provar que não basta ter riqueza no seu subsolo, mas sim um punhado de pessoas criativas e dispostas a fazer a diferença. Isto é que conta.
3. Quanto ao nhau, etc só viste em tempo de festival, mas dela para cá estão em letargia. Não existe. Acabou-se. Até o novo festival ou o dia que for lá o presidente em mais uma presidência aberta não esperes em ver mais aquele grupo a dançar. Antes, nos meus tempos, tal acontecia sempre, todas as semanas. Ai está o problema, não há uma vontade de subsidiar as bandas, os agrupamentos, os grupos teatrais, enfim, tudo fica-se por promessas e mais promessas. Temos ai em Xai-Xai grandes grupos dos macuawela, eu vi das vezes que visitei o Xai-Xai, mas nos dias de hoje só se conhece estes grupos através de contos. A transição que dizes deve partir do governo, do ministério de tutela e não de anónimos, coitados! Enquanto as coisas forem feitas com base em interesses pessoais e culto de personalidade estamos condenados a ver a cultura a andar de cócoras.
4. Esta é que é a verdade meu caro. Não basta que seja pura e justa a nossa causa é necessário que a pureza e a justiça exista dentro de nós, disse Jorge Rebelo. E esta certo, não basta andarmos por ai a dizer que adoramos as coisas quando na verdade nada estar sendo feito para a sua conservação, reabilitação ou promoção. Em Tete temos locais históricos, fortalezas, fortes, etc, mas como não foi lá o local onde nasceu um dos membros do “Sistema”, como não foi em Tete, onde se disparou o primeiro tiro, tudo aquilo está entregue ao diabo. Ninguém cuida de nada. Os directores de cultura ou foram antigos combatentes ou são pessoas ligadas ao “Sistema” sem, no entanto, nenhum conhecimento das coisas. Alguém sabe por acaso que Tete possui uma fortaleza? Alguém sabe dizer o nome? Ninguém, pouco se fala, porque a ninguém interessa. A Ilha de Moçambique é outro exemplo, vale a pena o amigo Mazuze ir a Ilha de Moçambique. Um local histórico por excelência, mas que está entregue a bicharada. Eu vi, eu mais de uma vez gritei para a sua reabilitação, mas ninguém me deu ouvidos.
Um abraço
NB: A foto é sim do meu sobrinho, chama-se Eros. A minha filha chama-se Karina...
Viriato_caetano_dias@yahoo.com.br