Victor Manuel do Vale Simões
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Caríssimos perdoem-me o meu mau "html" na edição do texto, mas os novos editores do blogspot, vieram fazer com que tenhamos deixado de praticar a edição em html, vou rever os comandos e melhorar! Um abraço
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Victor Manuel do Vale Simões adicionou uma postagem no blog
“ É urgente reinventar a Escola, dar-lhe um novo encanto e fazê-la mais atraente”.LOPES, J.Teixeira“Os alunos consideram a escola como um ponto de passagem. E enquanto ponto de passagem, a escola é para ser vivida, de preferência, fora do edifício...
agosto 2
agosto 2

“ É urgente reinventar a Escola, dar-lhe um novo encanto e fazê-la mais atraente”

“ É urgente reinventar a Escola, dar-lhe um novo encanto e fazê-la mais atraente”“ É urgente reinventar a Escola, dar-lhe um novo encanto e fazê-la mais atraente”“ é urgente reinventar a Escola, dar-lhe um novo encanto e fazê-la mais atraente”. (Lopes, J.Teixeira, em entrevista à Pagina da Educação)
“Os alunos consideram a escola como um ponto de passagem. E enquanto ponto de passagem, a escola é para ser vivida, de preferência, fora do edifício, nas pastelarias e cafés mais próximos, na convivialidade. Nunca no domínio da aprendizagem. Ou seja, a escola é uma obrigação por que tem de se passar porque é necessário um diploma, cada vez mais requisitado no mercado de trabalho. É, portanto, um uso instrumental da escola. O uso expressivo, o gozo que os estudantes poderiam ter em viver um tempo de aprendizagem, o seu carácter lúdico, a meu ver, não existe. Daí, "Tristes Escolas".”
( Lopes, J. Teixeira, em entrevista a “ a Página da Educação”)
Sendo a escola uma instituição de grande importância na sociedade contemporânea que postura assume face a esta realidade. Será a escola uma instituição igualitária, democrática, ou pelo contrário, tem um papel decisivo na génese, na consolidação e também no esbater destas desigualdades?
Uma das perspectivas teóricas sobre a natureza da educação moderna e as implicações na desigualdade, realça a importância das capacidades linguísticas, Bernstein, sustentou que as crianças de proveniências sociais diversas desenvolvem formas de discurso diferentes no inicio da infância que afectam as suas experiências escolares no futuro ( Bernstein, 1975 ). O interesse de Bernstein, centra-se nas diferenças em termos de vocabulário ou na forma de se expressarem, pois denota-se um contraste existente, entre as crianças mais pobres e as mais ricas.
Por um lado as crianças provenientes da classe trabalhadora, utilizam um código restrito, um tipo de discurso ligado ao seu contexto cultural, de forma que é muito próprio da cultura familiar e de proximidade sendo limitado no seu uso aplicado aos contextos das experiências práticas. Por outro lado as crianças da classe média, desenvolvem um código elaborado, um estilo de linguagem em que o significado das palavras pode ser individualizado, de forma a adaptar-se às exigências de situações particulares, generalizam e expressam ideias abstractas mais facilmente. Segundo Bernstein as crianças que adquiriram códigos elaborados de discurso, têm maior capacidade para lidar com as exigências da educação académica. Isto não implica que as crianças de classe baixa tenham um tipo de discurso << inferior >>, a sua forma de falar é que colide com a cultura académica. Poderemos assim perceber as razões pelas quais as crianças de origem socioeconómica mais baixa tendem a ser << mal sucedidas >> na escola.
Illich, afirma que o currículo oculto ensina às crianças que o seu papel é <<saber qual é o lugar e conformar-se com ele>>, advoga a descolarização da sociedade, sendo uma invenção relativamente recente, não existe razão para ser aceite como inevitável. No seu entender, dado que as escolas não promovem nem a igualdade, nem o desenvolvimento, na forma como existem, deveriam ser abolidas. No entanto, o conhecimento deveria ser partilhado e estar disponível para quem se quizesse dedicar ao estudo, em qualquer período da vida.
Bourdieu, e a reprodução cultural que se entende, como o modo como as escolas, e outras instituições sociais, contribuem para perpectuar as desigualdades económicas e sociais ao longo das gerações. O conceito reporta, para os meios pelos quais as escolas influenciam a aprendizagem de valores, atitudes e hábitos, através do currículo escondido. ( Giddens, 2004 pp. 514-517) Uma vez reconhecida como legítima, e como portadora de um discurso não arbitrário e socialmente neutro, a escola passa a poder exercer, segundo Bourdieu, livre de qualquer suspeita, funções de reprodução e legitimação das desigualdades sociais. Tratando formalmente de modo igual, em direitos e deveres, quem é diferente, a escola privilegiaria, dissimuladamente, quem, pela sua origem familiar, já é privilegiado logo à partida.
Deste modo, na perspectiva de Bourdieu, há uma correlação entre as desigualdades sociais e escolares. Essa correlação só pode ser explicada quando se considera que a escola dissimuladamente valoriza e exige dos alunos determinadas qualidades que são desigualmente distribuídas entre as classes sociais, notadamente, o capital cultural e certa naturalidade no trato com a cultura e o saber, que apenas aqueles que foram desde a infância socializados na cultura legítima podem ter.
Segundo Teixeira Lopes, a um nível informal a dominância grupal dentro das escolas, é também uma forma de manter e reproduzir as desigualdades “(…)os alunos que se apropriam dos locais privilegiados da escola - se se quiser, dos principais locais de apresentação pública, onde se é avaliado pelas tais posturas, linguagens e comportamentos tidos, ou não, como adequados - constituem o grupo mais visível e que mais afirma a sua identidade. Normalmente, à custa de outros grupos, que se remetem para espaços mais recônditos e que, de certa forma, têm menos auto-estima, não são capazes de impor a sua visão do mundo como os outros, têm uma certa vergonha cultural.
Isto acontece, mas pode inverter-se de escola para escola, dependendo muito do seu campo de recrutamento e da sua composição social.(…) se hoje se diz que a Escola já não é uma agência de reprodução no sentido clássico do termo, porque houve um processo de democratização escolar - e porque a legislação, que no nosso país vai sempre à frente das práticas, assim o afirma -, ela acaba por ser reprodutora no seu aspecto informal, mantendo separados aqueles que à partida já o estavam... E, no limite, até alarga o fosso que os separa...(…) porque o agente de fiscalização já não é o professor, mas os próprios colegas. Esta reprodução acaba por fazer-se ao nível mais informal possível, mais difícil se torna de contrariar.E este é um aspecto que não tem sido muito focado. Muitas vezes as vezes pessoas preocupam-se com as políticas escolares (o que é fundamental), com as decisões ao nível macro (que também são importantíssimas), com os modelos pedagógicos, mas não vão ao ponto de analisar o quotidiano dos estudantes e dos professores, a maneira como eles se cruzam e como fazem a Escola. Muitas vezes, este desconhecimento do quotidiano é responsável por políticas erradas, porque fazem-se as políticas à distância, por decreto, sem ter em conta a realidade a que se destinam. É, a meu ver, um grave erro dos processos de decisão a nível educativo.”( Lopes, J. Teixeira ).
Segundo Teixeira Lopes, a informação resultante dos Censos de 2001, veio demonstrar que Portugal deixou de ser um país emigrante, para ser um país de imigração e deste modo a nossa sociedade integra uma grande variedade de culturas e assume a sua multiculturalidade, “ a escola não está, de forma alguma, preparada para fornecer uma educação multicultural. (…) E porque, infelizmente, essas comunidades pautam-se por um abandono escolar precoce bastante forte, e, destituídas de recursos culturais e sociais, acabam por sofrer uma espécie de duplo insucesso: o insucesso escolar propriamente dito e o insucesso sócio cultural, que no fundo, expressam o insucesso da própria escola.”(...)( Lopes, J. Teixeira)
Reproduzem-se as desigualdades sociais, num sistema de ensino que continua a enformar e a regular-se, pelos padrões da cultura da classe dominante e sem os necessários meios estruturantes que visem uma adequação ao actual panorama social. “Apesar da diversidade étnica e cultural crescente, e mau grado o recente processo de reforma educativa, a escola continua a manter curriculos de matriz "etnocêntrico e eurocêntrico", para citar Luís Souta.”
Apesar de a escola ser formalmente para todos, continua a ser vivenciada como um privilégio de alguns. A selectividade social constitui outra das formas de desigualdade perpetuadas pelo sistema de ensino em Portugal (Guerreiro e Abrantes, 2007).

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Victor Manuel do Vale Simões

"SERÁ QUE PODEMOS CONSIDERAR AS INSTITUIÇÕES ESCOLARES COMO REPRODUTORAS DE DESIGUALDADES SOCIAIS?"

“ É urgente reinventar a Escola, dar-lhe um novo encanto e fazê-la mais atraente”.


LOPES, J.Teixeira
“Os alunos consideram a escola como um ponto de passagem. E enquanto ponto de passagem, a escola é para ser vivida, de preferência, fora do edifício, nas pastelarias e cafés mais próximos, na convivialidade. Nunca no domínio da aprendizagem. Ou seja, a escola é uma obrigação por que tem de se passar porque é nec
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Postado em 2 agosto 2009 às 2:30 ‚Äî 6 Comentários

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Às 2:23 em 2 agosto 2009, José Marques Simões disse...
Olá Victor! Boa noite!
Pois muito bem...somo três homónimos e vamos tentar uma triangulação engraçada na partilha do social que conhecemos e sabemos. Prometo dizer alguma coisa!
Um abraço, Marques Simões
 
 

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